Plateia, artista, contratada, voluntária, parceira, Françoi Alcântara tem diversos laços com a Mostra Sesc Cariri de Culturas

Fazer o caminho inverso para se encontrar. Sair do palco para virar bastidor. Deixar de ser aluna e passar a ser parte do time que produz o intercâmbio de conhecimento. Foi assim que aconteceu com Françoi Alcântara e suas vivências de Mostra Sesc Cariri.

A mudança começou quando a menina, que até os 17 anos sonhava em estudar os mistérios do universo e suas galáxias, encontrou uma estrela sem olhar para o céu, apenas para as próprias emoções. “Conheci o projeto Núcleo de Estudos Teatrais da Unidade Sesc Juazeiro, continuei na unidade Crato, e foi aí que eu descobri a artista que havia dentro de mim”, recorda Françoi, que iniciou a jornada rumo aos espetáculos, tendo o Sesc como alicerce em sua evolução, já que no Cariri não havia formação para teatro. “O ato de assistir às variações de apresentações é um exercício de adquirir conhecimento. Participei de inúmeras oficinas de formação que acontecia durante a Mostra”.

Em cada ano, a expectativa aumentava para nutrir a alma de arte. “Eu era de ficar esperando o encarte da programação sair e escolher, junto aos meus amigos, quais espetáculos iríamos assistir”. Então, quando ela saiu da sala de aula para mostrar seu talento em um espetáculo, não teria como ser diferente. O ano era 2004, as cortinas da Mostra Sesc se abriram para a apresentação do grupo de teatro da Universidade Regional do Cariri (URCA), “As Anjas”, e lá estava Françoi, aquela que sempre se encantava com as atrações no lado da plateia, entrando agora para a história desse encontro de culturas como artista.

Foi na troca de afetos da ainda Mostra Sesc Cariri de Teatro, proporcionada pela confluência de linguagens e de gente, que Françoi diz ter enxergado novas perspectivas para sua carreira. “Pude ampliar meu mundo, com todas aquelas manifestações artísticas e culturais presentes, reais em minha frente, despertando em mim vontades e desejos que até então não sabia que eram possíveis naquela amplitude, mas que minha alma reconhecia. Me mostraram que era possível viver de teatro”, relata.

Os caminhos do Sesc e da Françoi voltaram a se encontrar no ano seguinte. A artista se tornou produtora pelo Sesc Crato e aprendeu como funcionava o outro lado do palco, na coxia da produção de eventos culturais. De 2006 a 2012, trabalhou na secretaria de cultura do Crato e, nesse período, ou era contratada ou trabalhava na programação que acontecia no Cine Teatro Salviano Arraes Saraiva e ainda tinha energia para se voluntariar.

O vínculo já estava formado, então, em 2013, tornou-se técnica de cultura da Unidade Sesc Juazeiro do Norte. Era hora de mergulhar de cabeça, de conhecer por dentro todas as “engrenagens” que fazem um mundo inteiro girar. “A Mostra foi e é, em grande parte, responsável a me instigar a sempre me superar, me reinventar e ser o meu melhor. Motivou-me a ter esperanças e referências na vida”. Quando questionada sobre sua experiência como técnica de cultura, a resposta é simples “Não é só um emprego: faz parte das minhas células”.

“Quantas vivências…Quantas transformações na minha vida e da própria Mostra”. Olhando para o início de tudo, em cada palavra, Françoi se mostra grata pelos caminhos que a vida a tem feito trilhar. Como se o papel que ela interpreta hoje dentro dos projetos do Sesc, fosse uma forma de retribuir tudo o que ela recebeu de suas atividades e programações. “Realizar algo que tanto bem fez pra mim, para outras pessoas, é o melhor legado que posso ter a permissão de desfrutar”.

Com tantas histórias, fica difícil escolher um momento como o mais especial. Fazendo as contas, nessas 20 edições da Mostra, Françoi participou de 15 como plateia, 01 como atriz e 06 como técnica de cultura. De astrônoma para atriz e produtora, existe dentro dela um “espaço intergaláctico” que tem a cultura como missão e a arte como fio condutor.

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